IV Raid Fotográfico Jovem Manteigas

26 Julho, 2011

Que privilégio é poder regressar uma vez mais à vila de Manteigas e ao coração da Serra da Estrela. Sentir a magnitude de uma das mais belas paisagens de Portugal, ao mesmo tempo que se abraça o calor de gente que exibe orgulhosamente o estandarte da pureza de coração beirã e um sentido de humor que faz inveja a qualquer um. O IV Raid Fotográfico Jovem organizado pelo município local constituiu, uma vez mais, a desculpa perfeita para a equipa da fotonature visitar a serra. À espera da equipa estavam onze jovens, alguns deles repetentes, prontos para passar um fim de semana de convívio, aprendizagem e muita fotografia.

10h em ponto e na sala a meia luz acende-se o projetor e a sessão teórica começa. Entre aberturas, velocidades e sensibilidades, as dúvidas pairam no ar, as perguntas fazem-se a medo e os participantes entre-olham-se. A equipa repete a célebre frase: “na prática, vão ver que tudo isto é muito mais simples do que parece”.

E prática é mesmo aquilo que todos precisamos. Desertos de sair lá para fora, a fome aperta e pouco depois das 13h está tudo pronto a rumar ao Covão d’Ametade para um picnic gourmet. A guiar o autocarro está o homem que só tem uma meta para estes dois dias: fazer a foto que o vai levar a vencer o próximo concurso de fotografia de Manteigas.

Após o repasto num dos sítios mais bonitos do mundo, está na hora de começar a trabalhar. Montam-se os tripés, tiram-se as máquinas das mochilas e as dúvidas dissipam-se. Afinal, dominar a divina trindade da fotografia não é assim tão difícil. Perceber que uma mesma foto pode ser realizada com diferentes combinações de abertura, velocidade e sensibilidade fica bem mais fácil quando temos uma câmara nas mãos. Ah, e quanto temos alguém a mostrar-nos como é!

Nuno e Licínio

Nuno explica o uso de filtros a Licínio.

Lição finalizada e é hora de subir ainda mais alto e contemplar a beleza ímpar do Vale do Rossim. No caminho surge um dos pontos altos do dia em que o nosso autocarro tem de se cruzar com outro autocarro de dimensões ainda maiores. Para quem conhece a estrada que ladeia o vale glaciar do Zêzere pode imaginar que não é tarefa fácil. Mas o nosso aspirante a vencedor da melhor fotografia há muito que já passou essa condição no que diz respeito à condução e a bom porto nos leva perante o olhar espantado dos muitos que com medo deixam o autocarro com medo das alturas.

Autocarros

Como meter não sei quantos metros no bolso 😉

Chegados ao Vale do Rossim, é hora de escolher um local longe dos banhistas que nesta época do ano invadem a zona à procura de alguma calma e de águas límpidas. Afinal este é um workshop de paisagem natural e não iriamos ter sucesso a registar fotos com toalhas e calções berrantes em frente dos magníficos picos que dão nome às Penhas Douradas.

Artista e Paisagem

A Artista e a Paisagem

As primeiras imagens de sonho começam a aparecer e todos se aplicam para conseguir registar a melhor foto. A paisagem ajuda e muito, mas os participantes querem mais e mais. O entusiasmo é grande, a vontade de aprender é muita e à medida que a luz se torna mais bonita e dourada o desejo de registar o momento da melhor forma aumenta em sintonia.

Composição

Xana e Patrícia, tocadas pela luz dourada do fim do dia, discutem qual a melhor composição

O sol está a fugir e é tempo da foto de grupo. Composta ao pormenor, assegura-se que o comando remoto funciona e quando está tudo preparado o fotografo junta-se ao grupo para o click final do dia. É tempo de regressar e de juntar os mais resistentes (de entre os que não têm outros compromissos) num jantar convívio.

O Grupo

O grupo após um dia de aprendizagem, partilha e muita alegria

No dia seguinte, noite escura, 5h15 da manhã e todos estão de regresso. Entre humoradas “boas-noites” todos regressam ao autocarro e é hora de rumar ao ponto mais alto de Portugal continental.

O caminho para a Torre e para a zona das salgadeiras faz-se meio a dormir, meio a olhar lá para fora e para o dia que nasce. A sinfonia de cores vai-se desenrolando e os tons suaves da manhã inspiram quem tem o objectivo de fotografar mais e melhor.

Já no pequeno lago a que chamam Chafariz d’el Rei, os participantes perfilam-se e os formadores incitam ao despacho. A luz está no ponto e as máquinas têm de começar a disparar. Partilham-se os filtros, cuidam-se as composições e enquanto a luz quente dos primeiros raios de sol ilumina as paredes da real piscina todos se apressam para registar a melhor foto.

Chafariz d'el Rei

Trio de fotógrafas capta a luz dourada da manhã no Chafariz d’el Rei

A luz está belíssima, a serra espalha o seu perfume e estar naquele local com toda aquela juventude e simpatia é sinceramente um grande privilégio. São momentos como este que marcam quem procura partilhar aquilo que sabe, quem faz o que faz para mostrar aos outros que com paixão toda a fotografia vale a pena.

Após nova viagem para Manteigas é hora da sessão de edição, onde se ensinam conceitos importantes para trazer à vida as fotografias únicas de cada um. É na edição que a captura se transforma em fotografia e aplicações como Lightroom ou Photoshop são percorridas em pouco mais de duas horas e meia. Numa sessão que muitas vezes vê os participantes mais cansados a cochilar, foi com grande alegria que vimos alguma discussão nascer e a por à prova a velha questão da edição vs manipulação. Como diz o povo, “da discussão nasce a luz” e no caso da fotografia todos sabemos que nada é mais importante. No fim da sessão, cansados, mas com vontade de continuar uma viagem que agora começa, trocam-se despedidas e promessas de que para o ano há mais, com muitas saídas fotográficas a preencher o entretanto.

O rei da Montanha

Licínio: o Rei da Montanha

Para finalizar, resta-nos agradecer uma vez mais à Câmara Municipal de Manteigas, na pessoa do Miguel Serra, por uma vez mais ter confiado na fotonature para a realização deste evento e a todos os participantes pela dinâmica, paixão, vontade e muita amizade e boa disposição que decidiram partilhar connosco. À Carla e à Carolina, à Joana, Xana e Patrícia, ao Jorge e ao irrequieto Rui, à Ana e à Verónica e ao grande Licínio, o nosso bem haja.

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